segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Paz não é dada, é construída


A Paz é uma cultura que não é dada, ela precisa ser construída. Como disse recentemente Mujica, nossa militância tem que estar voltada para a construção não desse ou daquele sistema de governo, mas de uma nova civilização. Nosso modelo civilizatório está fracassado em todos os sentidos. O escritor de bioenergética, William Reich, fala que a cultura humana ainda está para ser feita.
Vivemos num total processo de barbárie e alienação. Nossa visão integral de mundo foi esfacelada pelo cartesianismo impregnado no DNA de todos os segmentos sociais hegemônicos. A maioria esmagadora reclama do fogo que lhe queima, jogando lenha na fogueira.
             A cultura da guerra é altamente lucrativa para o sistema capitalista, que ver o Planeta como um mero balcão de negócio, passando por cima de tudo e de todos.
Devemos parar de ser mamulengos do teatro do horror da Sociedade Capitalista, que transforma nossas diferenças em profundas desigualdades, zonas permanentes de conflito. Temos que voltar a trilhar o caminho da sabedoria e simplicidade ensinado pela Mãe Natureza.
Não é possível a cultura da paz nutrindo nossas células todos dias com a cultura da guerra. Vejamos nossas demagogias:
- Queremos paz dando as nossas crianças brinquedos de armas de fogo, super heróis (verdadeiros genocidas), estilingues e etc. Deixando eles assistirem o dia todo programas de televisão e jogos eletrônicos sangrentos. Desde a mais remota infância nossos filhos são expostos a esse caldo cultural sedento de conflito;
- Queremos paz educando nossos filhos com o chicote na mão. Na base do grito;
- O centro da cidade quer paz se entupindo de drogas. Lançando nas zonas periféricas o tenebroso mundo do tráfico. Uma geração enterrada nas drogas, lícitas e ilícitas, não podem alcançar a paz interior e consequentemente transbordá-la nos espaços comunitários;
- Queremos a paz assistindo e lendo a grande mídia nacional, e os filmes de guerra ianques. Todos agentes de propaganda da indústria bélica;
- Ouvindo músicas que incitam a selvageria e a depreciação da mulher;
- Queremos a paz votando na bancada da bala, na direita burguesa golpista. Historicamente racista, machista, estupradora, assassina, escravocrata e outras infinidades de estupidez;
- Queremos paz alimentando as desigualdades sociais, ficando de braços cruzados na luta de classe. Não teremos paz em um sistema de produção baseado na exploração e consumo desenfreado;
- Compramos nossos produtos das grandes multinacionais, principalmente norte americanas, todas elas financiadoras dos grandes conflitos que estão matando milhões de inocentes;
- Queremos paz se alimentado de uma comida oriunda da dor e sofrimento dos animais. Em relações degradantes de trabalho e ambiental. O alimento não só alimenta nosso corpo físico, mas também os outros corpos (emocional, espiritual e etc). Somos aquilo que comemos, já dizia a sabedoria há milhares de anos, ainda não aprendemos os ensinamentos sagrados;
Estamos em um automatismo que nos leva a cada dia para o caminho da autodestruição. Nossa solução para um problema é alopática, provoca uma série de efeitos colaterais ainda piores. Perdemos a capacidade de ver a causa real das coisas. A realidade é uma grande teia complexa.
É preciso entender que não se apaga fogo colocando lenha na fogueira. Precisamos ter a coragem de seguir as experiências de comunidades e países que estão vivenciando interessantes processos de construção da paz. Baseados na desmilitarização, da prática de meditação, alimentação saudável, combate sistemático a desigualdade social, implantando um modelo educacional voltado para valorização da vida, não deixando as crianças expostas a essa civilização doentia e tantas outras ações.
Não podemos individualizar um problema que é coletivo, todos somos vítimas e culpados ao mesmo tempo. A paz é uma obra de todos nós operários, não vai cair do céu e nem vai ser dada pela elite dominante.
Gandhi tem um a frase que diz: “Olho por olho, e o mundo acabará cego.” Sem enxerga já estamos a muito tempo, temos que cuidar para não perdermos o pescoço.

Por Daniel Uniraam

terça-feira, 12 de maio de 2015

Leis de formação de funções polinomiais do primeiro grau e funções constantes

 Leis de formação de funções polinomiais do primeiro grau e funções constantes

Geralmente, ao analisarmos o cotidiano, não refletimos sobre uma gama de aplicações dos conceitos que estudamos rotineiramente. Pensamos que, tudo no período escolar básico, é uma atribuição do livro didático e estuda-se, em geral, para aprender, e, às vezes, para apreender.

As pronuncias são próximas, todavia, os conceitos são distintos. Quando se diz Apreender, busca-se aplicar a partir de uma definição matemática, um conceito escolar no convívio cotidiano, e em relação ao aprendizado, analisado aqui, fica, em geral, no que é e como faz, em raras ocasiões, como visualizá-lo no dia a dia.

O tema função polinomial de primeiro grau é um bom caminho para visualizamos um conceito matemático com apreensão e não como uma definição sem muitos desdobramentos. Sabemos que, para definirmos uma função, aspira-se por dois conjuntos não vazios, nos quais serão relacionados por uma regra, chamada de “ Lei de formação”, a qual relacionará as variáveis dos dois conjuntos que, do primeiro, chamaremos de domínio da função, valores independentes e o segundo, o qual conterá as variáveis dependentes,chamadas de contradomínio,que contem as possíveis imagens. Esse processo, feito por uma regra, numa relação de dependência dos elementos de um conjunto para com o outro, chamamos de função.

Uma aplicação da relação discutida até aqui é a tabela de tarifas da EMBASA, no final dessa lauda, da empresa baiana de saneamento da Bahia, que disponível em um sítio público, oferece um conjunto finito de aplicações de funções e variáveis que podemos destacar. É uma aplicação do conceito de função, presente mensalmente, na casa das pessoas e que muitas vezes, passa despercebida, pelas aulas voltadas para o ensino de funções e acredito que devemos, a cada dia, trazer exemplos próximos da nossa realidade para ilustrarmos aquilo que estudamos, e buscamos apreender e não aprender por aprender.

Vemos nessa tabela, a seguir, exemplos de variáveis independentes, no caso as definidas pelo intervalo de consumo de água, os dos preços a pagar, como um conjunto de variáveis dependentes  são descritas por regras específicas, analisadas dentro de cada faixa de consumo. As funções ilustradas podem se classificar como afins, lineares e constantes, pois cada faixa de consumo nos possibilita definir funções com essas características.

Podemos destacar também as restrições de domínio possíveis nesse exemplo,pois uma representação de uma das leis de formação possíveis nessa tabela, vemos que combinamos funções polinomiais afins, com funções constantes e cada uma é bem definida no seu restrito domínio,pois não estamos trabalhando com variáveis reais a variáveis reais, mas sim, com variáveis naturais a variáveis racionais e por isso a restrição de domínio analisada.

Assim, o conceito de função exibe a relação de dependência estabelecida entre os elementos dos  dois conjuntos não vazios, usando uma regra que nos mostra que em exemplos mais triviais e próximos da nossa realidade, pode-se estudar um conceito que nos parece distante e mostra-nos que é a grande meta que todos nós devemos almejar.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Regulamento do Baba no gama



Regulamento

  1. Os pagamentos serão realizados até o dia 5 de cada mês, 15 Reais, ou, até o segundo sábado do mês.
  2. A Escalação para o Jogo será de acordo com a fidelidade de pagamento da mensalidade, se todos tiverem em dia, segue a lista de chegada. Caso Contrário, por falta de pagamento Mensal, o Sócio joga como Visitante.
  3. Na formação de 5 times, o jogo será com morte súbita, com 2 gols, caso contrário, 15 minutos para o primeiro baba, e 10 para os demais.
  4. Caso tenha 4 times, todo de sócios, e tenha 4 sócios sobrando, forma-se um 5º baba com os 4 primeiros da lista de chegada, seguindo critério 2.
  5. Os visitantes jogarão nos lugares dos sócios que os trouxeram, sendo um visitante por sócio.
  6. O jogador que tomar cartão vermelho, independente do motivo, pagará R$: 20 e poderá ser suspenso por um sábado, a depender da Interpretação da gestão da associação.
  7. Ofensas, Palavrões e desrespeito ao próximo serão julgados com cartão Vermelho.
  8. O Sócio que entrar em vias de fato, briga, com o sócio ou visitante ou ameaça-lo de agressão física ou moral será punido com 30 dias de suspensão e no retorno pagará 30,00 de taxa de Reinserção. Em caso de reincidência, será excluído do baba.
  9. Em Caso de Empate, as equipes sairão, pois no caso, dos próximos dois babas, com até  4 jogadores de cada equipe, subindo 2 da lista, seguindo ordem de chegada.
  10. Não satisfazendo o critério 9, as equipes que empatarem serão analisadas por sorteio, com moeda, para decidir que joga o próximo baba.
  11. Não será permitida a formação de um 5º baba com apenas Visitantes, salvo a ausência de Sócios a partir das 16: 30Hrs.
  12. Não será permitida a saída de um jogador, salvo para a entrada de um visitante, ou time do campo fora do horário estabelecido pela regra 4, e nesse caso, o jogador ou equipe será julgada com cartão Vermelho, seguindo o critério 8.
  13. Quem retirar o colete antes do término da partida será punido com cartão Azul.
  14.  O visitante Joga apenas um sábado nessa situação e deve procurar se associar ao baba.
  15. O horário limite para colocar nome na lista será às 16h30min, não podendo colocar seu nome por telefone ou algo afim.
  16. O Associado que faltar sem justificativa por 4 sábados, será desligado do Baba, Salvo pagamento atualizado a cada dia 5 do Mês.
  17. O sócio não poderá jogar sem o colete dupla face, e deve procurar comprar seu colete.
  18. O sócio não poderá subir na lista mais que 1 vez, pois todos os sócios estão em igualdade de condições de jogo.
  19. O sócio novo não será sócio permanente, pois passará por um período de Observação de 3 semanas, e depois disso, será integrado ao corpo da associação.
  20. O sócio de recusar-se a sair do campo, por estar atrás na lista de subida do baba, o juiz dará Cartão Vermelho ao Jogador, sendo substituído do baba, pelo outro que está sua frente, e ainda ficará suspenso por um baba.
  21. Jogador que Fizer Gol contra propositalmente para prejudicar seu time levará cartão Vermelho e Será suspenso depois do pagamento da multa por um baba.
  22. Será proibida a presença do Sócio por efeito de álcool ou substâncias afins, pois, um esporte de contato com o futebol não combina com bebida.
  23. Sócio que passar a ter atitudes violentas verbais ou físicas do baba será sumariamente desligado da associação.


Orientações
Os temas acima serão votados no próximo sábado  

O valor de 15 reais por pessoa considerou as seguintes despesas associadas ao baba no campo do Gama, como por exemplo:

150,00 do Campo
250,00 da Arbitragem, ou seja, considerando o Mês com 5 sábados
10 águas Minerais, ou seja, duas por sábado, no valor de 50,00 desconsiderando despesa para gelar.
Despesas Extras, como compra de Bolas, cada uma no valor de 80,00 ou Forças das Bolas, cada uma no Valor de 10 reais.

Vejam que o Baba com 5 times teremos uma Arrecadação de 450, 00 reais, pois são 30 sócios a 15 reais, mesmo assim, não garante com esse valor arrecadado o pagamento de todas as despesas possíveis nesse baba, mesmo assim, será o novo valor a ser apreciado por todos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Raízes Quadradas Sem Calculadora





é possível sem calculadora?





A História da Matemática não traz apenas memórias sobre fatos particulares dessa ciência, oferece também, um recurso de reflexão importante à compreensão de conceitos dessa área do saber e mostra que, muitos dos conceitos usados, atualmente, tiveram um processo de construção e não nasceram como hoje os conhecemos.

Quando se estuda Matemática, pensa-se que tudo sempre se apresentou assim, como se “Gênios” tivessem definido esses conceitos e os demais deveriam desenvolver seus pensamentos a fim de entender o conteúdo ali analisado.

Sobre os radicais, a história da matemática nos mostra que o símbolo:






Onde n é um número natural maior que 2 e essa raiz terá as suas restrições, a partir de x, e do conjunto numérico que ele pertence, pois se n for 2, e x= -2, não faz sentindo extrairmos a raiz quadrada sugerida no conjunto dos números Reais.

Por volta do século IX e VI A.C, os Babilônios já apresentavam alguns registros de signos que, recentemente, chamamos de radicais. Nesse período, esses radicais eram representados por letras e números e não existia ainda um símbolo,como o citado acima, que resumisse a ideia do radical como temos hoje.

No contexto do ensino básico, têm-se algumas situações que se recorrem aos radicais para determinarmos a solução de tais problemas, como por exemplo, determinar a diagonal de um quadrado, de lado 1, e consequentemente, para essa situação tem-se que determinar o valor da raiz quadrada de 2, mas será que é impossível determinar esse valor desprovido de um instrumento moderno,como uma calculadora?

Essa resposta já era respondida bem antes da invenção dela como hoje se conhece, pois, Héron de Alexandria, - 10 d.C. a 75 d.C.- usou um método para determinar a raiz quadrada aproximada de um número n,natural, onde segundo ele é escrito como um produto de números positivos, como segue abaixo:







Escrevendo n,nos moldes exibidos nas fórmulas, I e II, já na Idade Média, a seguinte relação ,a seguir, também determina, com aproximação, o valor da raiz quadrada de n.

Assim, concepções históricas de conceitos dessa Ciência nos ajudam a conceber definições matemáticas, sem os tradicionais recursos tecnológicos que se tem, atualmente, e a conjectura de Héron, mostra-nos que exibir o valor aproximado de uma raiz quadrada nada mais é do que operar números racionais.

Desse modo, as operações com esses entes ficam, realmente, simples e divertida. Logo, basta munir-se de alguns exemplos e teremos boas aproximações para as raízes quadradas de Números Naturais.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Bases não decimais

A escrita para humanidade foi a maior memória que a nossa espécie pode vivenciar,pois muitos dos conhecimentos estudados hoje puderam ser representados por algum tipo de código e isso norteou toda uma geração, dando os bons frutos atuais.

Cada escrita usa uma combinação de signos que gera uma comunicação, e cada civilização deixou um legado importante para esse evento. Para a Matemática, o uso de signos foi salutar para a determinação da escrita numérica nessa ciência e as manipulações algébricas dessa matéria.

Sistemas de Numeração usam diretamente esse tipo de signo, e cada civilização deixou um legado que muitos povos ,atualmente, usam, se apropriando do conceito de Número, Numeral ou Algarismo, mas, o que são esses conceitos?

Algumas vezes, equivoca-se em diferenciar, algarismo, numeral e número, pois, esses três conceitos são impostos na vivência humana, e psicologicamente, como uma definição única, e carrega-se essa dúvida por muito tempo. Algarismos são signos que representam numerais, que por sua vez, são os “ nomes dos números”, como 5 ou V ou ||||| são três signos que representam o numeral “ cinco”, no sistema Indo-Arábico,Romano e Egípcio, respectivamente, que por sua vez pode representar infinitas coisas. Assim, o conceito de número é abstrato e não o definimos, mas sim, o exemplificamos.

Alguma vez, você se perguntou, por que usamos o sistema decimal,ou seja, Indo-Arábico? E se existe outra maneira de escrever os números que estamos acostumados a manipular? Desse modo, o presente texto tem o objetivo de mostrar que essas possibilidades são reais, e que a escrita geral de qualquer número é exemplo de potência, a qual para uma base qualquer, são representações de polinômios, onde a sua indeterminada é a base escolhida para a escrita desse ente matemático.

Por uma questão cultural, usamos o sistema decimal, o qual se apropria dos numerais 0,1,2,....,9., para formar todos os números possíveis e cada um ocupa um valor posicional associado a uma potência de 10. Por exemplo: 43, temos:





Mas, como escreveríamos esse mesmo número usando uma base diferente de 10? De fato, se escolhermos a base dois, por exemplo, a qual utilizará dois algarismos (0,1).Assim, 43 na base 2, seria representado por: 101011, a qual só tem os numerais 0,1. Mas, como isso foi possível? Basta fazer divisões sucessivas por 2, tomar o último quociente, seguido pelo resto de todas as divisões por 2.Logo, temos a representação citada. Mas, como verificar se o raciocínio está correto? Basta combinar cada algarismo do número na base 2, com uma potência de base 2, com expoente 5, até expoente 0 e assim teremos o número representado na base 10, ou seja:






Desse modo, 43 é escrito com os algarismos abaixo, na base dois, ou seja, usando apenas 0,1, como:


101011(2)



Ou seja, temos um caso particular de um valor numérico, para a indeterminada do polinômio, com valor 2, em um polinômio de grau até 5, assim, trabalhar com bases para representar números é uma maneira de exibir polinômios, onde a suas indeterminadas são as bases, as quais estamos trabalhando, e os coeficientes são os restos e o último quociente dessa divisão.

Assim, as bases são convenções usadas por humanos e cada um as usa dependendo da necessidade, e a escrita de cada sistema dependerá das influências Históricas que cada Civilização deixou para os seus não Contemporâneos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Placas Automotivas e Análise combinatória

Placas Automotivas e Análise combinatória

Você já se perguntou, quando um animal sente falta de uma das suas crias, no ninho,por exemplo,será que ele a percebeu por uma contagem rápida ou por tem uma noção de quantidade? Os estudiosos da história da matemática já nos mostraram que a questão do senso numérico é presente em várias espécies, e que a única capaz de realizar contagens complexas, ampliando a noção de senso numérico, com uma concepção abstrata, é o ser humano, que seguindo alguns critérios, quantifica ou ordena o que for possível na civilização.

Segundo Damerow, em uma entrevista em 2001, sobre a origem dos Números Naturais, levanta alguns questionamentos sobre a origem desses números e também sobre a estratégia criada pelos seres humanos, chamada contagem, e nos faz refletir se a capacidade de contar dos seres humanos é uma herança biológica, ou, é um artifício criado ao longo dos nossos antepassados para desenvolver algumas enumerações no cotidiano.

Contar é um fato milenar e que vários povos, ao logo da história, puderam desenvolvê-las de maneiras distintas. Um exemplo disso foi o sistema de “talhos” no Egito, que é um dos primeiros registos dessa estratégica de quantificar certas porções, e a cada conquista, de povos colonizadores, as técnicas de contagem foram aperfeiçoadas e temos hoje uma miscelânea de contribuições de vários povos e não é, nem de longe, a técnica que há alguns séculos foi desenvolvida.

Assim, o processo de contagem usado hoje, onde Damerow filosofa em sua entrevista, é uma reunião de contribuições dos povos ao logo da história da humanidade e tem forte influência do sistema de numeração indo-arábico, o qual usa o sistema decimal, ou seja, utilização de 10 signos matemáticos para representar, dentre outras coisas, contagens, ordens, posicionamentos entre outros. Mas, você já se perguntou como seria contar, se em um novo sistema numérico, não se utilizasse 10 signos, mas sim, 2,? Como por exemplo, o  0 e o 1, os quais definem a base 2?

Assim, contar é uma estratégia humana e cada um, movido por um sistema específico, segue suas regras e define a operação dentro do rigor da matemática.


Questionamentos que você já pode ter feito são: como é estimado o total de placas de identificação automotivas no Brasil? Com é feito a contagem dessa gama de possibilidades? Uma vez  que as placas são iniciadas por três letras maiúsculas do nosso alfabeto, seguidas por 4 números do nosso sistema decimal, variando de AAA-0001 a ZZZ-9999, em uma série chamada de “alfanumérica”, essa sequência é infinita? Não, pois, utilizando uma estratégia de contagem chamada de “princípio multiplicativo”, temos três maneiras de distribuir as letras, sendo que, para cada uma das letras há 26 possibilidades e 4 maneiras de distribuir os números, cada uma, com 10 possibilidades. Desse modo, o total de placas no sistema alfanumérico é 175.760,000,00. Porém, a placa terminada em 0000 foi contada indevidamente, assim, teremos que subtrair 26.26.26.1.1.1.1, ou seja, são 26 possibilidades para cada maneira de distribuir as letras e apenas 1 número em cada posição(0000), o zero. Portanto, o total de placas é 175.742.424.

.

Por exemplo: O estado da Bahia tinha uma série inicial, JKS- 0001 a JSZ 9999, criada em 1993,mas esse intervalo já se esgotou em Janeiro de 2009, e estamos, atualmente, em outras cinco séries e caminhando para uma sexta. A segunda série, que durou até novembro de 2009, foi de NTD - 0001 a NTW- 9999, e foi substituída por uma nova série, em 2010,que é NYH-0001 a NZZ 9999, e a quarta, em 2012, que é OKI 0001 a OLG 9999, e a quinta foi OUF-0001 a OVD 9999, e sexta foi OZC 0001 a OZV 9999, estamos na sétima série, PJA 0001 a PLZ 9999,quando essa série terminar, o que será feito? De fato, existem algumas séries não utilizadas, ainda, ou seja, de PMA 0001 a ZZZ 9999, mas vejo que muitos Estados já estão esgotando suas novas séries, tendo muitos deles entrado na quinta série de placas, e provavelmente, teremos uma mudança nos modelos dessas placas, com o incremento de uma letra, tendo assim 5 letras e 4 números, como se fez dessa estratégia de acrescentar, em outros tempos, e a tendência que todo o MERCOSUL será unificado com o mesmo sistema alfanumérico.

Princípio parecido, as operadoras de telefonia móvel e fixa utilizaram, recentemente, para readequar os números que identificam as linhas desses telefones. Em 2005, as operadoras de telefonia fixa, adicionaram o número 3, aos números antigos, a fim de adequar o seus números aos dos telefones móveis, os quais tinham 8 dígitos e assim, todo telefone fixo passou também a ter 8 dígitos.

hoje, vive-se algo nesse mesmo sentido, pois o número de usuários da telefonia móvel cresceu assustadoramente e alguns DDDs, como o prefixo 11, 21, estavam com suas linhas se esgotando. Para sanar esse problema, resolveu-se acrescentar o dígito 9, nos números dos telefones existentes e daí, aumentou a capacidade de combinações desses números em uma quantidade finita e que pode ser contada, usando o mesmo principio das placas, analisadas anteriormente. Essa estratégia das operadoras vai se estender por todo o pais até 2017,e todo aparelho móvel terá 9 dígitos e consequentemente, os números fixos, se adequarão, novamente a essa nova realidade.

Assim, a contagem é uma abstração do senso numérico que os seres humanos criaram por influência de antepassados e aperfeiçoado ao longo da história, e nessa ótica, estamos cercados de inúmeros problemas de contagem, como o total de possibilidades, das contagens dos números de placas automotivas e dos números que identificam os telefones fixos e móveis, e  de jogar 6 números na loteria, e o total de dezenas no jogo do “bicho”, entre outras.


Logo, a Análise Combinatória, no âmbito dos seus problemas cotidianos não podem passar desapercebidos, pois estão aos nossos olhos, como os problemas das placas automotivas, os dos números dos telefones fixos e móveis, senhas bancárias e entre outras situações e ao trabalharmos, como problemas particulares da Análise Combinatória, devemos tratá-los e sugerir soluções, pois se tem um conjunto finito, o nosso papel com a combinatória é contá-lo e refletir com as boas contribuições à organização da dinâmica da sociedade.


Projeto Mídias e redes sociais

Projeto Mídias  e redes sociais